Afinal, o iPhone 18 pode pesar bastante no seu bolso.
A Apple passou boa parte do último ano parecendo a empresa mais tranquila em meio a uma multidão de pessoas que incendiavam seus próprios móveis. Enquanto a Microsoft aumentava os preços do Surface a níveis verdadeiramente exorbitantes e as fabricantes chinesas viam suas ambições de lançar smartphones topo de linha evaporarem sob o peso dos custos dos componentes, a Apple manteve-se firme — uma confiança serena que beirava o teatral. Foi impressionante enquanto durou.
Simplesmente não durou o suficiente. O analista Erik Woodring, do Morgan Stanley, agora prevê: a linha do iPhone 18 provavelmente custará US$ 100 a mais do que a geração do iPhone 17 em modelos equivalentes. A própria Apple sinalizou isso em sua última teleconferência de resultados, reconhecendo que os custos de memória estão aumentando substancialmente e que a empresa precisará agir para proteger suas margens de lucro. A única questão real sempre foi como, e não se.
O congelamento de preços da Apple nunca foi uma estratégia permanente.
Quando a Apple optou por absorver as pressões de custos em vez de repassá-las, estava sendo estratégica. A linha MacBook é o exemplo mais claro disso. O MacBook Air de 13 polegadas com processador M4 está atualmente com preço inicial de US$ 999. O Surface Pro de 12 polegadas da Microsoft, equivalente a este modelo, começa em US$ 1.049, um aumento em relação aos US$ 799 de apenas alguns meses atrás. No segmento premium, a diferença é ainda mais gritante. O MacBook Pro de 16 polegadas com processador M5 , 64 GB de RAM e SSD de 1 TB custa US$ 3.299; a configuração equivalente do Surface custa US$ 3.649. A Apple saiu vitoriosa ao não recuar quando a Microsoft cedeu.
A decisão da Apple em relação ao Mac mini seguiu um padrão semelhante. Em vez de aumentar o preço do modelo básico de 256 GB com processador M4, a Apple simplesmente o descontinuou. A estratégia tem sido consistente e deliberada. Mas os custos da memória não se importam com estratégia. Em algum momento, a economia simplesmente para de cooperar.
Um aumento de US$ 100 dói, mas a posição competitiva da Apple provavelmente está bem.
Um aumento de US$ 100 no iPhone 18 não altera fundamentalmente a posição da Apple em relação à concorrência. A Samsung vem aumentando os preços da linha Galaxy S há anos, muitas vezes sem oferecer nada que justifique o aumento. Alguns fabricantes chineses estariam enfrentando custos de produção próximos a US$ 917 em seus principais modelos da linha Ultra, o que significa que sua margem de manobra para aumentar os preços praticamente desapareceu, e alguns desses aparelhos podem nem sequer ser comercializados em certos mercados.
O fato da Apple aumentar os preços em US$ 100 enquanto seus concorrentes aumentam ainda mais, ou cancelam produtos por completo, ainda é uma vitória relativa. A questão mais ampla aqui é, na verdade, sobre os limites do domínio da cadeia de suprimentos. A Apple passou anos construindo uma posição que lhe permite absorver choques que paralisariam uma empresa menos integrada verticalmente. Essa posição não desapareceu. Mas mesmo a empresa mais disciplinada do mercado só consegue conter o aumento dos custos de produção por um certo tempo antes que o limite seja atingido. Para a Apple, esse limite parece ter o logotipo de um chip de memória.

