A tecnologia True RGB da Sony visa oferecer o melhor das tecnologias OLED e Mini LED.

Nos últimos anos, a disputa pelos compradores de TVs premium tem girado em torno de duas tecnologias: OLED e Mini LED. A OLED conquistou a reputação de oferecer contraste e ângulos de visão excepcionais, enquanto a Mini LED elevou os níveis de brilho a patamares inéditos. A escolha geralmente se resume a decidir qual compromisso faz mais sentido para o ambiente e os hábitos de visualização de cada pessoa.

A Sony acredita que essa conversa pode estar prestes a mudar. Durante uma apresentação privada para a imprensa em Nova York, a empresa revelou uma nova tecnologia de tela chamada True RGB, que repensa o funcionamento da retroiluminação de uma TV e busca combinar alguns dos maiores pontos fortes das tecnologias OLED e Mini LED.

A Sony afirma que a maioria das TVs é projetada para o ambiente errado.

Um dos pontos mais interessantes que a Sony destacou durante a apresentação teve pouco a ver com especificações técnicas. Segundo a empresa, apenas 13% dos telespectadores assistem à televisão em ambientes completamente escuros, como os usados ​​em demonstrações de produtos, cinemas ou estúdios profissionais de correção de cores. Os 87% restantes assistem em salas de estar, salas de família e espaços onde a iluminação varia constantemente.

O argumento da Sony é que muitos monitores premium ainda têm dificuldades em equilibrar brilho, precisão de cores e contraste quando as condições de iluminação não são ideais. É esse problema que a empresa afirma que o True RGB foi projetado para resolver.

O que torna o True RGB diferente?

Para entender por que a Sony acredita que essa tecnologia é importante, é útil observar como a maioria das TVs premium atualmente reproduz cores.

Em um display Mini LED ou QLED tradicional, uma fonte de luz azul ou branca trabalha em conjunto com pontos quânticos, camadas de fósforo e estruturas de LCD para criar as cores que aparecem na tela. Em termos simples, grande parte do processo de criação de cores ocorre depois que a luz sai da própria fonte de luz de fundo.

O True RGB adota uma abordagem diferente. Em vez de depender de uma única fonte de luz colorida que é posteriormente filtrada, a Sony usa diodos vermelhos, verdes e azuis controlados independentemente, diretamente no sistema de retroiluminação. Isso significa que a cor desejada é criada na fonte de luz antes mesmo de atingir a camada de LCD.

Para tornar isso possível, os engenheiros de monitores profissionais da Sony trabalharam em conjunto com a equipe de consumo da BRAVIA para desenvolver um novo driver mestre de retroiluminação RGB. De acordo com a Sony, a arquitetura de driver atualizada permite o controle individual de milhões de diodos microscópicos vermelhos, verdes e azuis em tempo real.

A melhoria mais significativa talvez seja o volume de cor.

A Sony realizou uma série de demonstrações lado a lado comparando o True RGB com monitores topo de linha concorrentes, incluindo testes usando janelas raster de 100% e 90%. Embora várias diferenças tenham sido destacadas, o volume de cor se sobressaiu como uma das mais significativas.

A principal diferença é que o True RGB gera luz vermelha, verde e azul puras diretamente na fonte, em vez de depender de uma única cor de retroiluminação que é posteriormente filtrada pela tela. A Sony afirma que isso permite que o sistema produza uma expressão de cores significativamente maior, mantendo altos níveis de brilho. Segundo a empresa, o True RGB oferece o dobro do volume de cores da BRAVIA 9 Mini LED e até quatro vezes o volume de cores da BRAVIA 8 OLED.

O resultado é uma tela que pode atingir um brilho extremamente alto, mantendo a saturação de cores, em vez de perder a vivacidade das cores em níveis de brilho mais elevados.

Os ângulos de visão foram outra área em que a Sony se concentrou.

Tradicionalmente, os ângulos de visão têm sido uma das maiores vantagens dos OLEDs. Os displays Mini LED podem perder um pouco da precisão de cores quando vistos lateralmente, pois grande parte da geração de cores ocorre através da estrutura do LCD.

A Sony argumenta que o True RGB ajuda a resolver esse problema porque a cor é criada tanto pela camada de LED quanto pela camada de LCD, em vez de depender de um único estágio do pipeline de exibição. Durante as demonstrações, a empresa mostrou comparações lado a lado onde as cores pareciam mais consistentes quando vistas de ângulos extremos.

A gradação suave foi projetada para eliminar faixas visíveis.

O terceiro grande benefício destacado pela Sony foi o desempenho de gradação. A formação de faixas de cor pode se tornar perceptível em céus, pores do sol e outras cenas com transições de cores sutis, principalmente em telas brilhantes.

Ao combinar suas tecnologias de processamento de imagem com o controle independente do sistema de retroiluminação vermelha, verde e azul, a Sony afirma que o True RGB reduz significativamente as faixas visíveis e cria transições mais suaves entre as tonalidades.

A verdadeira tecnologia RGB chegará primeiro às TVs topo de linha da Sony.

O primeiro modelo True RGB da Sony será o BRAVIA 9 II, o modelo topo de linha. Disponível nos tamanhos de 65, 75, 85 e 115 polegadas, o televisor contará com tecnologias como RGB Backlight Master Drive Pro e Luminance Booster Pro. A Sony afirma que a TV foi projetada para corresponder à intenção criativa e ao desempenho de brilho de seus monitores de estúdio profissionais BVM.

A tecnologia não se limitará à linha premium. A Sony também anunciou a BRAVIA 7 II, que leva o True RGB a uma gama mais ampla de tamanhos de tela, de 50 a 98 polegadas. Abaixo desses modelos estará a linha OLED da empresa, liderada pela BRAVIA 8 II e pela BRAVIA 8 padrão.

A Sony também está lidando com o problema dos reflexos.

Além do True RGB, a Sony apresentou uma tecnologia antirreflexo premium opcional chamada Immersive Black Screen Pro para a BRAVIA 9 II. A empresa afirma que a camada de nanoestrutura, com patente pendente, foi projetada para absorver reflexos, mantendo níveis de preto profundos, mesmo em ambientes bem iluminados.

Esse foco nas condições reais de visualização se relaciona com o argumento mais amplo que a Sony apresentou ao longo da conferência. Em vez de otimizar telas apenas para ambientes ideais, a empresa está posicionando o True RGB como uma tecnologia criada para a maneira como a maioria das pessoas realmente assiste televisão em casa.

Após presenciar as demonstrações em primeira mão, é fácil entender por que a Sony acredita que o True RGB pode se tornar o próximo grande passo na tecnologia de telas premium. Se essa promessa será cumprida, só saberemos com o lançamento das unidades finais no varejo, mas a Sony está claramente apostando que o futuro do desempenho das TVs está em algum lugar entre o que o OLED e o Mini LED oferecem atualmente.