O Samsung Galaxy S26 Ultra parece uma atualização de software, e é por isso que é entediante.
Houve uma época em que trocar para um novo celular top de linha era como dar o primeiro passo rumo a algo visivelmente melhor. Baterias maiores, câmeras mais nítidas, carregamento mais rápido – melhorias reais e tangíveis que justificavam tanto a expectativa quanto o preço.
O Galaxy S26 Ultra não transmite exatamente essa sensação. Parece mais um refinamento disfarçado de reinvenção.
Em teoria, a Samsung fez o que sempre faz. O S26 Ultra vem com o mais recente chip Snapdragon 8 Elite Gen 5 da Qualcomm, oferecendo um aumento de aproximadamente 10% no desempenho da CPU e 15% no da GPU em relação ao modelo do ano passado. Agora, ele suporta carregamento com fio de até 60W, em vez dos 45W anteriores, e apresenta recursos como tela de privacidade e novas ferramentas com inteligência artificial integradas ao sistema.
Individualmente, essas melhorias parecem significativas. Coletivamente, não dão a sensação de serem transformadoras. Porque os fundamentos — as coisas que os usuários realmente percebem — não mudaram de verdade.
A bateria continua com 5.000 mAh. Essa é a mesma capacidade que a Samsung usa há várias gerações, do S23 Ultra ao S25 Ultra. O carregamento é mais rápido, sim, mas não drasticamente. Na prática, você economiza minutos, não muda seus hábitos. E em alguns testes, o desempenho da bateria é apenas marginalmente melhor, principalmente devido aos ganhos de eficiência do novo chip, e não a um grande avanço de hardware.
A história da câmera é ainda mais reveladora.
O S26 Ultra mantém a configuração tripla de câmeras de 200-10-50 MP, com pequenas melhorias, como uma abertura maior de f/1.4 no sensor principal. Mas o tamanho do sensor permanece praticamente inalterado, e isso faz diferença. Concorrentes como Xiaomi e Vivo já adotaram sensores de 1 polegada, que capturam fisicamente mais luz e detalhes, principalmente em condições de baixa luminosidade. A diferença não é apenas técnica – ela é visível na profundidade de campo, na faixa dinâmica e nos detalhes naturais.
A abordagem da Samsung, por sua vez, continua a depender fortemente da fotografia computacional. Os resultados ainda são excelentes, mas também são familiares. Imagens brilhantes, nítidas e ligeiramente processadas que ficam bem nas redes sociais, mas que não necessariamente inovam.
E esse é o tema recorrente aqui: nada é pior, mas nada é significativamente melhor.
Assim, a Samsung aposta na IA.
O S26 Ultra vem repleto de recursos de IA – geração de imagens, inserção de objetos, edição em tempo real, ferramentas de escrita e sugestões contextuais. Alguns deles são realmente impressionantes. Você pode tirar uma foto, remover objetos, alterar as condições de iluminação ou até mesmo inserir elementos totalmente novos usando IA generativa. Você pode reescrever mensagens em diferentes tons ou gerar conteúdo diretamente a partir de sugestões.
Tecnicamente, é poderoso. Na prática, é complicado.
Porque a maioria dessas funcionalidades se enquadra em duas categorias. A primeira é a automação — coisas como tradução, sugestões inteligentes ou ações contextuais. Essas funcionalidades são úteis, mas ainda inconsistentes. Assistentes de voz como o Bixby melhoraram, mas ainda apresentam dificuldades com contexto e confiabilidade. Faça uma pergunta complexa e você ainda poderá receber uma resposta irrelevante.
A segunda categoria é a IA generativa – a parte mais chamativa. Edição de imagens, ferramentas criativas e geração de conteúdo. São recursos divertidos, mas raramente essenciais. E há desvantagens. Muitas dessas ferramentas reduzem a resolução da imagem, às vezes em até 20-30%, ou geram conteúdo que não corresponde à proporção nativa da tela do dispositivo. Em alguns casos, uma imagem gerada pode aparecer com resolução de 1024×1024 em um telefone com tela 2K.
É uma tecnologia impressionante, mas nem sempre se mantém eficaz no uso real.
O que nos leva a uma questão mais ampla. Se as atualizações mais notáveis são recursos de software que, teoricamente, poderiam ser implementados em dispositivos mais antigos, qual exatamente é o motivo da atualização?
É aqui que o S26 Ultra começa a parecer menos um novo telefone e mais uma atualização de software disfarçada de hardware. E não é só a Samsung. Essa está se tornando a tendência de toda a indústria.
Os celulares topo de linha não são mais definidos por grandes avanços de hardware. Eles são definidos pelo equilíbrio.
O S26 Ultra é indiscutivelmente o smartphone Android mais completo que você pode comprar. Ele tem uma tela excelente, bateria de longa duração, câmeras versáteis, suporte de software de longo prazo (até sete anos) e uma das experiências de software mais personalizáveis graças à One UI. Ele ainda inclui recursos exclusivos, como a S Pen integrada.
Mas, ao tentar ser o aparelho perfeito em todos os aspectos, evita correr riscos. Não tem a maior bateria. Não tem o maior sensor de câmera. Não tem o carregamento mais rápido. Não leva nenhuma categoria ao limite.
Em vez disso, a empresa opta pela segurança. E a segurança está começando a parecer previsível. Outras marcas estão experimentando de forma mais agressiva. Algumas estão investindo em hardware de câmera, outras em tecnologia de bateria ou velocidades de carregamento. Nem tudo funciona, mas cria uma sensação de impulso – de progresso.
A Samsung, por outro lado, está otimizando em vez de reinventar. Isso faz do S26 Ultra um excelente celular para a maioria das pessoas. Ele faz tudo bem, e para o usuário médio, é exatamente isso que importa. A câmera é mais do que suficiente. A bateria dura o dia todo. O desempenho é fluido. A experiência é confiável.
Mas para quem busca algo novo – algo que represente um salto qualitativo – ele deixa a desejar. A ironia é que o S26 Ultra demonstra o quão maduros os smartphones se tornaram. As diferenças entre as gerações estão diminuindo. A necessidade de trocar de smartphone todo ano está desaparecendo.
E talvez essa seja a verdadeira conclusão.
O Galaxy S26 Ultra não é uma atualização ruim. Só não é uma atualização necessária. Porque quando suas maiores inovações parecem recursos que poderiam ter sido uma atualização de software, é um sinal de que a corrida pelos smartphones topo de linha não se trata mais de grandes avanços.
Trata-se de manter a perfeição. E a perfeição, como se vê, pode ser um pouco entediante.

